sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Música Minimalista

A música minimalista teve grande importância nas décadas de 1960-1970, principalmente nos EUA, e tem entre suas principais características o emprego de um número reduzido de frases ou motivos largamente repetidos, uma harmonia consonante, muitas vezes um pulso constante, muito pouca ou muito lenta variação dos motivos, e abandono de recursos decorativos. Entre os principais compositores estão Steve Reich, Terry Riley, LaMonte Young, Philip Glass, todos norte-americanos; e Michael Nyman, inglês.

A ideia de uma música baseada na repetição exaustiva de elementos não é nova, mesmo na música ocidental, e Véxations (1893) é um exemplo de Satie nesse sentido. A primeira composição mais claramente associada ao minimalismo em música, no entanto, é o String Trio (1958) de LaMonte Young, que emprega técnicas dodecafônicas e explora sons com longas durações (na peça há notas que duram mais de quatro minutos cada).

No contexto da música, o termo "minimalismo", tomando de empréstimo à Minimal Art em voga nas artes plásticas nos anos de 1960, vem sendo comumente usado desde que Nyman o empregou pela primeira vez em 1968; a ideia de uma "música processual" aparece pela primeira vez no mesmo ano, no manifesto de Reich intitulado Music as a Gradual Process.

Apesar de os dois termos serem utilizados de forma intercambiável por alguns, principalmente por causa das obras de Reich, a ideia de música processual dele aponta para uma música "que se origina em um processo, e mais especificamente, música que torna esse processo audível". No manifesto, ele ressalta o fato de que sua ideia de música processual é diferente da de Cage: este último utiliza processos como técnicas de composição, mas sua música não dá a ouvir o processo diretamente, " não há conexão audível". Podemos concluir que, nesta medida, a contribuição de Reich para a arte sonora é mais direta, uma vez que parte das obras baseiam-se justamente na exposição dos processos de produção do som. Mais tarde, Reich inclusive produziria composições que se apresentam na forma de instalações, e onde o acento é a visibilidade do processo de produção do elemento sonoro.
 
Aqui alguns trabalhos de Reich:
 
 
 

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Artemídia?

Ao longo do final do século passado um série de projetos artísticos híbridos entre ciência, arte e tecnologia viria a surgir como resposta ás profundas mudanças operadas na sociedade pelas novas tecnologias, em especial as tecnologias digitais da informação, em suas diversas variantes: imagens produzidas por computador, animação digital, instalações interativas, filmes interativos, arte telemática, ambientes de realidade virtual, instalações robóticas, game art e bioarte entre outros.

A artemídia ou new media art não configuram um movimento em si, mas antes um gênero de produção artística - e geralmente não participa do sistema comercial das artes plásticas, circulando em espaços próprios. No caso da artemídia, os problemas são mais aqueles pertinentes à própria tecnologia e ciência do que aqueles com que lidam, de maneira geral, os artistas contemporâneos informados pela história da arte do último século.

Mas o pensamento da artemídia exerce de fato influência direta sobre a produção de arte sonora? Pode-se argumentar, tomando determinadas definições de arte sonora, que parte considerável desta forte ligação com as tecnologias recentes (CAMPESATO: 2007). Com efeito, alguns artistas indicam o fato de a produção haver ganhado agilidade e flexibilidade na passagem para as formas digitais de registro, processamento e reprodução do som, e a digitalização permitiu também uma maior facilidade quanto à criação de efeitos sinestésicos.

Mas não parece o caso de influência direta: as tecnologias determinantes nas questões exploradas pela maioria os artistas sonoros são mais que os meios digitais contemporâneos, aquelas disponíveis ao longo da maior parte do século passado: estas já ofereciam a maioria das possibilidades de gravação, manipulação e execução do som permitidas pelos meios digitais. Parece-nos que a artemídia contribuiu para a arte sonora não como pensamento, mas apenas através da incorporação de alguns formatos - os recursos da interatividade digital, imersivos e telepáticos servem de suporte aos discursos poéticos de uma fração do repertório da arte sonora.

Pode-se afirmar em todo o caso, que a artemídia empresta seu campo de problemas a uma parte ainda menor da produção de arte sonora. Neste caso, as obras investigarão questões ligadas às ciências e às especificidades dos suportes tecnológicos, e não os aspectos discursivos, sociais e formais sobre os quais se debruçam os artistas plásticos há meio século.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

- Entre os Artistas Sonoros:

Acessem o site do Designer and Sculptor Harry Bertoia.


http://bertoiaharry.com/sonambient.html

- E assistam no youtube:

Projeto Sonambient: http://www.youtube.com/watch?v=TtZ3qmGBWEM


No vídeo "sonambient" tem toda uma questão visual colocada ali... Você enxerga que o som que é apresentado vem a partir do atrito de uma barra em outra. E cada grupo das barras tem uma textura, espessura e tamanhos diferenciados tornando único o som. Foi interessante que no vídeo "Barber shop" comecei a assistir e não li o título do vídeo, e no decorrer dele senti a necessidade de fechar os olhos (já que não ia sair daquela tela azul mesmo) para "viajar" e conseguir "enxergar aqueles sons". Incrível como meu corpo pediu para que isso acontecesse. Nos final abri meus olhos e li ali escrito: "close ur eyes" (rs). Pensei: Atendi a proposta, sem nem ter me atentado a ela. Muito bom!

Palavras-chave: arte; sonoridade; dispositivos.

Uma importante produção acadêmica sobre Arte Sonora é a dissertação de Ricardo Cutz da UFRJ, na qual o autor apresenta: ‘Arte sonora’ é um termo relativamente novo, que abriga produtores de arte que não encontram no território da música retorno – estético e institucional – para suas ações. Este trabalho tem como objetivo investigar tais produções e remontar a alguns fatos que apontariam para uma possível história da arte sonora. Escolheu-se como ponto de partida a invenção do fonógrafo – o primeiro dispositivo de registro sonoro – e seu impacto na produção da música e a curiosidade despertada no mundo das artes.

Entretanto, a história que revisitaremos aqui, de 
forma interessada, não é uma história desses dispositivos nas artes apenas, mas também uma análise dos processos de artistas como Russolo, Duchamp, Schaeffer e Cage. Lidos sob a luz de uma relação estreita com as artes visuais, apontam mais do que tentativas de renovação da música, revelando estratégias, táticas e ações que fomentam a passagem do plástico para a experiência sensorial direta – e o fazem através do som. 

Como fruto de minha vivência como 
artista e produtor de arte, questões sobre o uso do som no campo das artes foram surgindo. Assim, parte da minha produção, no grupo Hapax, e a de outros artistas, como Chelpa Ferro, Paulo Vivacqua e Marssares, são objeto desta análise. O deslizamento entre materiais, tecnologias e sensações abrigados em um amplo conjunto de ações artísticas envolvendo esculturas, instalações e performances – que resultam na criação e experiência de sons e sonoridades – será visitado.

Palavras-chave: arte; sonoridade; dispositivos.


Para ler a dissertação completa, acesse:

Paisagem Sonora, breve reflexão.

O processo de composição da paisagem sonora, do inglês soundscape composition, inicia-se com a percepção do som de um ambiente urbano, que é captado por um gravador com um microfone específico. Esse material poderá ser modificado em estúdio, adicionando a ele instrumentos acústicos ou elétricos. Até mesmo a voz citando poesias pode ser incorporada.

 O formato das composições varia de acordo com o estilo de cada compositor. O artista não altera a paisagem em sua composição. Tem a preocupação de retratá-la exatamente como ela é. Dessa forma, o resultado desse ato composicional pode funcionar como registro das paisagens atuais e, com o passar dos anos servir de base para uma comparação com novas paisagens.
soundscape composition surgiu nos anos 70, quando, preocupado com a mudança da paisagem sonora de Vancouver em função da poluição sonora devido ao crescimento da cidade e ao aumento de automóveis circulando, o compositor canadense Murray Schafer, juntamente com outros compositores e pesquisadores ligados a música, começaram a mapear as paisagens sonoras urbanas da região, registrando-as através de gravações dos ambientes sonoros de diferentes locais. Esse movimento foi alastrando-se com a idéia de ecologia acústica – que estuda a relação entre o homem e o ambiente sonoro em que ele vive.A composição de paisagens sonoras nasce desse movimento preocupado com a ecologia acústica, e parte do ético para o estético, mas sem deixar o ético de lado.


Aqui abaixo o link de uma entrevista com Murray Schafer, falando sobre suas opiniões e definições sobre paisagem sonora.

 http://www.youtube.com/watch?v=-YEAEBSiBYA


E esse outro link é uma captura de paisagem sonora, feita em Porto Alegre/RS durante uma tormenta. Há vários audios super interessantes nesse site, tanto de paisagens sonoras como entrevistas sobre arte sonora, alguns projetos, música experimental entre outras coisas, é só dar uma procurada que acha muita coisa rara e interessante.

https://soundcloud.com/thaisaragao/1006-184956-tormenta-em-porto

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Som e Espaço.

O som é material de referência dentro de um conceito expandido de composição. Entre outras questões, essa concepção estética vai ao encontro da reflexão e inclusão de elementos que geralmente possuem um valor secundário, ou mesmo inexistente na criação musical tradicional, tais como o espaço, a visualidade, a performance e a plasticidade.

É notável que boa parte das produções de arte sonora se realizam na forma de instalações e de esculturas sonoras, nas quais a construção da obra ocorre em conexão com a construção de seu próprio espaço de existência, portanto o espaço adquire uma importância vital na maior parte desses trabalhos, atuando não como agente de delimitação da obra, mas como elemento integrante da mesma.

Deve-se notar que os ambientes que abrigam a arte sonora geralmente diferem  muito de espaços mais neutros como as salas de concerto de música e aproximam-se muito mais de ambientes com uma conotação mais ligada à plasticidade como galerias de arte, museus ou outros espaços alternativos.

O espaço sonoro faz frente não somente às qualidades materiais de objetos e espaços físicos, mas também à ressonância de nossos próprios corpos e à percepção de nós mesmos.

 A forte conexão que a arte sonora estabelece com o espaço, utilizando-o como um dos principais elementos na construção da obra, ocorre por meio de seu estreito parentesco com a instalação, termo que a partir da década de 80 tem sido utilizado para descrever um tipo de arte que rejeita a concentração em um objeto em favor de uma consideração das relações e interações entre um certo número e elementos e de seus contextos.

Segundo Bosseur (1998:32), "nas instalações o som contribui para delimitar ativamente um lugar reabsorvendo a oposição dualista entre tempo e espaço. Uma das principais propriedades do som é a de esculpir o espaço".

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Música ou Arte Sonora?

Substituir o termo música por arte sonora? A ideia de rever o termo não é nova. John Cage, num texto de 1940, chamado O Futuro da Música, propôs que o termo música fosse substituído por outro mais adequado à novas abordagens que vinham surgindo no século XX: organização sonora. 

Chamar essa arte do sonoro de outra coisa que não seja música não é portanto novidade. Cage estava interessado na ampliação da paleta sonora proporcionada pela utilização do ruído em música. Para uma música do total sonoro, não restrita a material escalar (acordes, escalas, modos, séries de notas), ou seja, de natureza mais concreta do que abstrata, fazer música significaria organizar materiais sonoros dentro de lapsos de tempo definidos.


No final, continuou usando o termo música, talvez por crer que dentro dele havia espaço para essa nova concepção. Essa atitude representou um ganho filosófico para os músicos, pois foram obrigados a refletir sobre os limites da arte e a reformular alguns conceitos.